2014: Uma copa no espaço ou vacas ao brejo

julho 14, 2010

O brotinho de Queiroz

Nosso herói saía de uma casa de amores urgentes, que ficava na confluência das ruas Des. Encana, 169 e Laura Araújo no Mangue, no Rio de Janeiro. Queiroz não se sustinha em pé e quase foi oló por excesso de Orloff, anisete e arroz de sarrabulho. Acabou deitando no meio-fio, tendo os braços como travesseiro.  Teve um sonho terrível com um mito chamado “Pé de Garrafa”, um ente misterioso que vive nas matas e capoeiras enganado caçadores e que deixa sua passagem assinalada por um rastro redondo e profundo, lembrando perfeitamente o fundo de uma garrafa.

Quando os primeiros raios de sol começavam a surgir, Queiroz teve um frêmito e acordou sobressaltado!


-Vou ver a Copa sem ouvir o Galvão Bueno!


Seu fiel companheiro, o cão Quincas Borba, fez uma expressão com os olhos que tanto negava como afirmava o sonho do amigo. Mas Queiroz estava resoluto! Meteu a mão na algibeira da calça e não encontrou um vintém sequer. Só achou seu pince-nez em estado deplorável e um maço de Odalisca, que pertencia a Aracy de Almeida.


A última Copa que Queiroz tinha acompanhado in natura foi a de 1950, que aconteceu no Brasil. Ele estava no Maracanã na goleada brasileira de 6 X 1 sobre a Espanha. E foi ele que fez o compositor Braguinha chorar quando agitou a massa com o clássico “Touradas em Madri”.


A CBF (Cadê Brasil Futebol) abriu um concurso para dois cargos na Copa da África. O primeiro era de motorista, mas, como a carteira de habilitação de Queiroz foi tirada na agitada ilha de Paquetá, não tinha validade nem no restante do território nacional. O segundo era de olheiro da seleção canarinho. Devido ao grande número de inscritos, duas vagas foram oferecidas.  A primeira ficou com o cego Jeremias (Roque Santeiro) e a outra com o nosso Queiroz.


Até o jogo contra o Chile, o trabalho de Queiroz e Jeremias foi avaliado como exemplar. Mas tudo mudaria nas quartas-de-final.


Ao entrar no estádio Nelson Mandela Bay Stadium, Queiroz avistou uma bela holandesa e sentiu suas Nederland entrarem em ebulição; jabulanes e vuvuzelas agitaram-se. A moça parecia uma gravura de Rembrandt ou uma pintura de Johannes Vermeer. Tinha cabelos claros e olhos curtos e nos pés usava tradicionais tamancos de madeira. Mas, como Felipe Melo, nosso Don Juan Varre-saiense também levou cartão vermelho. E Queiroz e a seleção da CBF tiveram que voltar pra casa.


No final, a vaca holandesa também foi pro brejo, ou melhor, para Amsterdã.
Agora, para copa de 2014, a torcida de Queiroz é que as polacas venham e que troquemos a sonora vuvuzela pela brasileiríssima gaita-de-foles.


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2 Respostas to “2014: Uma copa no espaço ou vacas ao brejo”

  1. um maço de odalisca da aracy é tudo na vida

  2. Chico Alves said

    Muito bom Dioguito!
    Ja estava um tanto quanto saudoso de um pouco de “causo”.

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