O “Bota-Abaixo” que cabriolou

novembro 24, 2010

Chegando à casa da baiana Ciata (na rua Visconde de Itaúna 117, na Cidade Nova), nosso herói, em poder do caprino, foi preparar o prato do dia: Cabriola à Queiroz. Para auxiliá-lo na empreitada foram chamadas: Palmirinha Onofre, Surica e Tia Sadata (esta diretamente da Pedra do Sal, mas sem pressão alta). Só entrava na casa quem portasse uma pulseira vic (Very Important Ciata)

A festa era realizada em dois ambientes: na sala, uma roda de choro era comandada por Pixinguinha e sua flauta; no quintal, o samba era conduzido pelo pandeirista João da Baiana e pelo compositor Donga. Ambos vieram acompanhados por suas mães, Tia Perciliana e Tia Amélia. Como toda festa que se preza, essa também era temática, pois sambar, entre os Quiocos de Angola, é verbo que significa cabriolar, brincar, divertir-se como cabrito.

Nessa chacrinha ainda estavam: o tenente Hilário Jovino, a cantora e madrinha Beth Carvalho, Sinhô, o senador Pinheiro Machado e três crianças que impressionavam com seus passos e requebros febris: Noelzinho, Angenor e Ismael (esse diretamente de Niterói). Um estribilho era cantado pela roda:

“Ai, ai, ai, deixa as mágoas para trás, o rapaz
Ai, ai, ai, fica triste se és capaz e verás
Ai, ai, ai, deixa as mágoas para trás, o rapaz
Ai, ai, ai, fica triste se és capaz e verás”

O compositor Donga e o jornalista Mauro de Almeida anotaram o estribilho e foram correndo para Biblioteca Nacional fazer o registro de ocorrência. Na mesma hora, Beth Carvalho virou madrinha da dupla e do samba.

Enquanto isso, na cozinha, a colher de pau estava cantando. Já sei! A receita! Calma, calma, não criemos pânico. Em toda receita, o que realmente importa é: alho, cebola, água e cerveja – o alicerce da cozinha mundial.

No fim das contas, são 300kg de cabra; duas cenouras (em tiras ou rodelas, pois não vou ficar controlando o corte de ninguém); 2kg de cebola em brunoise; 10 dentes de alho em bastonetes; 3 folha de louro; suco de 10 limões; 1kg de manteiga sem sal em pommade; sal e pimenta-do-reino (moída na hora). A dica é botar tudo na panela, ao mesmo tempo, em fogo invernal. Depois é só rezar uma Ave Maria e um Pai Nosso, esperar o povo ficar morrendo de fome e servir.

No final da festa, dois mancebos apareceram na casa: Eike Batista e Eurico Miranda. Eles eram sócios em uma agência de automóveis e estavam iniciando no mercado imobiliário. Querendo colocar coleira ou guia no povo, os jovens foram perguntar à dona da casa por quanto ela vendia sua botoeira. Eike tomou um safanão de Geraldo Pereira e desceu a Visconde de Itaúna rolando. A tapa foi tão forte que o rapaz ficou enterrado em uma rocha, descobrindo assim a camada e aclamada do pré-sal. Ficou milionário. Já Eurico Miranda levou uma corrida de Madame Satã. Foram parar lá pros lados de São Cristóvão. Casaram e tiveram dois filhos: Christophorus e Vasco da Gama.

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