O Passado da Portela!

janeiro 24, 2011

“Vá perguntar ao histórico!” Quando surgia uma dúvida sobre algum samba da Portela ou de outra escola, essa era a resposta mais constante de Natal. E logo era chamado Alcides Dias Lopes, mestre de canto da escola, mais conhecido como “Alcides, malandro histórico”. O “malandro” era por sua atuação na zona do meretrício, na praça Onze, e por suas famosas brigas; já o “histórico”, por sua prodigiosa memória. Dos sambistas da antiga, ele foi o que teve maior relação com o jovem Monarco, além de ser seu primeiro parceiro. Na feira das quartas da rua Adelaide Badajós, em Oswaldo Cruz, Monarco encontrou Alcides. Entre um gole e outro de cerveja preta, o veterano compositor mostrou uma primeira:

“Se você gostou de mim, porque quis \ Já sabia quem eu era, todo mundo diz \Hoje quer me culpar, dizendo me ter amizade \ Sabe que um malandro quando ama deixa saudade”.

E perguntou ao jovem se ele gostaria de terminar o samba. Espantado com a proposta, mas honrado com o convite, Monarco colocou uma segunda parte à altura do mestre:

“Você não foi meu primeiro amor \ Nem tampouco o segundo \ A sentir saudade nesse mundo \ Mas alguém está sentindo \ Quero morrer se acaso estou mentindo”

Estava concluída a primeira parceria da dupla, “Amor de malandro”, gravada por João Nogueira em 1975. Juntos eles ainda fariam “Enganadora”, “Já lhe esqueci” e “Você pensa que eu me apaixonei”, entre outras. Mas o maior sucesso de Alcides ele fez sozinho.  O samba “Vivo isolado do  mundo” rolou nas vozes de Candeia, Beth Carvalho, Alcione e principalmente na de Zeca Pagodinho, que o gravou pela primeira vez no disco Deixa clarear de 1996, tendo regravado em 1999 e 2003. Essa foi, segundo Monarco, a única música de Alcides em que ele não “chicoteava” a mulher: “Eu vivia isolado no mundo / Quando eu era vagabundo / Sem ter um amor / Hoje em dia / Eu me regenerei / Sou um chefe de família / Da mulher que amei / Linda, linda, linda / Linda como um querubim / É formosa, cheirosa e vaidosa / A rosa do meu jardim…”

As famosas “chicotadas” que Alcides dava nas mulheres gerou um episódio engraçado com dona Guiomar, sua companheira. Monarco e Alcides tinham acabado uma parceria quando ela interrompe a comemoração da dupla:

– Vocês não perdem essa mania de fazer samba “chicoteando” a mulher.

Monarco responde:

– Dona Guiomar, Alcides fez a primeira e eu tenho que seguir o motivo.

Como bom versador, Alcides não perdeu tempo:

– Não liga não, Monarco. Ela reclama sempre. Quando eu faço um samba aqui em casa falando de carinho, tipo “Vem cá / Meu bem”, ela pergunta com raiva: “Quem é essa puta?”.

Luiz Melodia. Amor de Malandro (Monarco e Alcides Dias Lopes) Estação Melodia MTV \ Ao Vivo:   http://www.radio.uol.com.br/#/busca/musica/Amor de Malandro

 

 

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